Apesar de ser verdade q dentre as pessoas com um mesmo „nivel“ de autismo certos sintomas se apresentarem de maneira diferente, dando então a alusão à um espectro autista, falar como se a diferença entre um autista adulto que, apesar de ter crise de choro ao ter q pegar 3 horas de trens interestaduais para ir ao trabalho, consegue manter um trabalho, e um autista adulto que, devido as tais “comorbidades” mal consegue manter um nivel de comunicação basica com os outros, fosse insignificante e todas parte desse “espectro”.
Quando se fala por exemplo de um espectro politico, ainda falamos dos mesmos fatores, mesmas condições, e a unica coisa que muda são as expressões e tendências.
Mas chamar a diferença entre uma autista nivel 1 e uma autista nivel 3 de espectro é como dizer que futebol e basquete são um espectro de “esportes coletivos com bola”
academicamente falando, o autismo é um transtorno altamente complexo e que afeta TODOS OS SISTEMAS do organismo, sendo essas alterações visíveis "a olho nu" ou não. inclusive, convido-os a assistir uma palestra feito meu instituto na Fiocruz e que explora bem o meu ponto: https://www.youtube.com/live/oste7oJYHKs?si=sv0klScw2fP0ZXQw.* talvez estejam usando o nome comorbidade para dizer que é uma consequência do transtorno, mas não é "universal"?
a ideia de espectro é justamente para que se entenda que, apesar de ter características comuns, as pessoas vivenciam o transtorno de formas diferentes e, por isso, requerem níveis diferentes de suporte. o nível 1 não é usado como "base" (isso não tem nem respaldo cientifico) pelo contrário: somos o tempo todo tratados como se não fossemos autistas o suficiente (como se existisse algo assim!), sim, somos invisibilizados.
*edit: parece que o vídeo tá privado no momento, mas já perguntei aqui o que houve
Toda a indústria cultural é uma evidência que vcs não são injvisibilizados. A ideia se espectro foi um arranjo mais político que científico e que deu errado. Agora, é só admitir. A categoria "autismo profundo" é o começo dessa reconsideração.
existe uma diferença substancial entre existir personagens que podem (ou são) compreendidos como autistas, por exemplo, e ter visibilidade na vida real, no dia a dia. e eu nem tô entrando na faceta de ser uma mulher autista, pois o buraco é mais embaixo ainda...
toda decisão científica também é uma decisão política e, na minha leitura, o problema não está em chamar o transtorno de espectro, mas sim na negligência do Estado. negligência essa que afeta todos os níveis de suporte, embora possa ser bem mais pesado para o n3.
a categoria "autismo profundo" não é um consenso científico, mas tá sendo bem aceita pq abre brechas para os outros níveis, especialmente o 1, tenha menos direitos... algo que os planos aguardam ansiosamente.
seu texto toca em uma questão pertinente, por isso inclusive vim compartilhar uma palestra muito interessante (que está privado por conta do defeso eleitoral, infelizmente), que aborda o quão complexo é o tea e como, talvez, o termo comorbidade devia estar sendo usado ou interpretado incorretamente...
mas final deixa um amargor pra quem está no espectro e lê, pq da a impressão que, no fim, as críticas também são jogadas pra gente... e esse amargor se repete na sua resposta a mim.
O que, na verdade, os planos já estão fazendo é nos prejudicando por causa do discurso (não falo de pessoas, muito menos de quem não conheço, só analiso discurso) da explosão de diagnósticos N1.
Eu acho que Freud explica, sim, muita coisa, inclusive a necessidade visceral de patologizar características de personalidade. O que não é o caso do meu filho.
Apesar de ser verdade q dentre as pessoas com um mesmo „nivel“ de autismo certos sintomas se apresentarem de maneira diferente, dando então a alusão à um espectro autista, falar como se a diferença entre um autista adulto que, apesar de ter crise de choro ao ter q pegar 3 horas de trens interestaduais para ir ao trabalho, consegue manter um trabalho, e um autista adulto que, devido as tais “comorbidades” mal consegue manter um nivel de comunicação basica com os outros, fosse insignificante e todas parte desse “espectro”.
Quando se fala por exemplo de um espectro politico, ainda falamos dos mesmos fatores, mesmas condições, e a unica coisa que muda são as expressões e tendências.
Mas chamar a diferença entre uma autista nivel 1 e uma autista nivel 3 de espectro é como dizer que futebol e basquete são um espectro de “esportes coletivos com bola”
academicamente falando, o autismo é um transtorno altamente complexo e que afeta TODOS OS SISTEMAS do organismo, sendo essas alterações visíveis "a olho nu" ou não. inclusive, convido-os a assistir uma palestra feito meu instituto na Fiocruz e que explora bem o meu ponto: https://www.youtube.com/live/oste7oJYHKs?si=sv0klScw2fP0ZXQw.* talvez estejam usando o nome comorbidade para dizer que é uma consequência do transtorno, mas não é "universal"?
a ideia de espectro é justamente para que se entenda que, apesar de ter características comuns, as pessoas vivenciam o transtorno de formas diferentes e, por isso, requerem níveis diferentes de suporte. o nível 1 não é usado como "base" (isso não tem nem respaldo cientifico) pelo contrário: somos o tempo todo tratados como se não fossemos autistas o suficiente (como se existisse algo assim!), sim, somos invisibilizados.
*edit: parece que o vídeo tá privado no momento, mas já perguntei aqui o que houve
Toda a indústria cultural é uma evidência que vcs não são injvisibilizados. A ideia se espectro foi um arranjo mais político que científico e que deu errado. Agora, é só admitir. A categoria "autismo profundo" é o começo dessa reconsideração.
existe uma diferença substancial entre existir personagens que podem (ou são) compreendidos como autistas, por exemplo, e ter visibilidade na vida real, no dia a dia. e eu nem tô entrando na faceta de ser uma mulher autista, pois o buraco é mais embaixo ainda...
toda decisão científica também é uma decisão política e, na minha leitura, o problema não está em chamar o transtorno de espectro, mas sim na negligência do Estado. negligência essa que afeta todos os níveis de suporte, embora possa ser bem mais pesado para o n3.
a categoria "autismo profundo" não é um consenso científico, mas tá sendo bem aceita pq abre brechas para os outros níveis, especialmente o 1, tenha menos direitos... algo que os planos aguardam ansiosamente.
seu texto toca em uma questão pertinente, por isso inclusive vim compartilhar uma palestra muito interessante (que está privado por conta do defeso eleitoral, infelizmente), que aborda o quão complexo é o tea e como, talvez, o termo comorbidade devia estar sendo usado ou interpretado incorretamente...
mas final deixa um amargor pra quem está no espectro e lê, pq da a impressão que, no fim, as críticas também são jogadas pra gente... e esse amargor se repete na sua resposta a mim.
enfim, certamente freud explica.
O que, na verdade, os planos já estão fazendo é nos prejudicando por causa do discurso (não falo de pessoas, muito menos de quem não conheço, só analiso discurso) da explosão de diagnósticos N1.
Eu acho que Freud explica, sim, muita coisa, inclusive a necessidade visceral de patologizar características de personalidade. O que não é o caso do meu filho.